A Importância do Transporte Coletivo Planejado

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O transporte público coletivo é essencial para o desenvolvimento social e econômico das cidades, pois amplia a acessibilidade da mobilidade urbana, incluindo os grupos com menor poder aquisitivo, possibilitando o aumento da circulação nas diversas áreas comerciais e o acesso da população aos diversos serviços sociais. Contudo, a superlotação dos coletivos e a presença de uma infraestrutura precária são alguns dos problemas que prejudicam a população que utiliza esses serviços. Nesse sentido, confira um breve ponto de vista sobre a importância do planejamento da infraestrutura do transporte coletivo voltado na ampliação da acessibilidade da mobilidade urbana e no desenvolvimento social e econômico do espaço urbano.

A IMPORTÂNCIA DO TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBUS, 2020) o transporte coletivo ocupa menos espaço nas vias e transporta mais passageiros, contribuindo na redução dos congestionamentos do trânsito urbano. Nessa perspectiva, essa categoria de transporte contribui ainda na redução da quantidade de veículos ativos nas ruas, consequentemente diminuindo a emissão de gases poluentes liberados pelos escapamentos e reduzindo a poluição do ar.

Ainda de acordo com a Gvbus (2020) os coletivos conseguem transportar um maior número de pessoas em um único veículo, contribuindo para a redução dos custos com os deslocamentos e tornando a mobilidade urbana mais acessível para todos os cidadãos, inclusive aqueles com menor poder aquisitivo.

Nesse sentido, segundo Ferreira (2023 apud Roberto, 2023) o transporte coletivo contribui para o desenvolvimento social e econômico das cidades, pois ao reduzir o número de veículos nas ruas, o trânsito fica mais fluído e os deslocamentos tornam-se mais rápidos e eficientes, contribuindo para que os passageiros tenham mais tempo para se dedicar mais a família, a saúde, ao estudo, ao lazer e ao descanso. Além disso, nos locais por onde as linhas dos coletivos passam, ocorre o desenvolvimento da região com o aumento da oferta de novos comércios e serviços.

 

PRINCIPAIS PROBLEMAS COM O TRANSPORTE COLETIVO

Segundo Mariana (2024) um estudo divulgado pelo IBGE em 2024 revelou que a superlotação é um dos principais problemas enfrentados pelos passageiros no transporte público brasileiro, especialmente nos horários de pico. Nesse sentido, a superlotação torna as viagens mais exaustivas, principalmente para aqueles que viajam a pé nos corredores do coletivo por longos períodos. A superlotação ainda dificulta a circulação de pessoas no interior do veículo, aumentando o tempo de embarque e desembarque de passageiros.

De acordo com a CWBUS (2028), além da superlotação, a presença de uma infraestrutura precária também é outro problema que afeta significativamente a qualidade do transporte público coletivo. Dessa forma, a presença de pontos de ônibus sem abrigo adequado contra os diversos fenômenos atmosféricos deixa os passageiros expostos quanto a ação da chuva e da radiação solar. A ausência de bancos de espera nos pontos de ônibus contribui para tornar as viagens mais cansativas, principalmente para os idosos e mulheres com criança de colo. A falta de elevadores nos ônibus que circulam no transporte coletivo dificulta a acessibilidade de passageiros com mobilidade reduzida, especialmente dos cadeirantes.

Nesse sentido, a Administração Pública tem o dever de investir em medidas que possibilitem o conforto, a acessibilidade, a segurança e a eficiência do transporte público coletivo, garantindo a dignidade dos passageiros juntamente com a rentabilidade dos empresários que investem no sistema.

 

A INFRAESTRUTURA DO TRANSPORTE COLETIVO PLANEJADO

Para melhorar a infraestrutura do transporte público coletivo, a Administração Pública juntamente com investidores e representantes do sistema público de transporte coletivo devem elaborar um estudo sobre a abrangência, a logística e a viabilidade das rotas realizadas pelos coletivos. O objetivo desse estudo é distribuir estrategicamente cada rota, ponto de acesso e terminal de modo que a rede de transporte coletivo urbana consiga atender satisfatoriamente as demandas de toda sociedade. Além disso, esse estudo precisa ser atualizado periodicamente para avaliar a eficiência dos modelos adotados, bem como para acompanhar as mudanças na macha urbana.

Os pontos de ônibus devem apresentar um abrigo devidamente adequado para proteger os passageiros das ações da chuva e da radiação solar. Além disso, os pontos de ônibus também devem apresentar pelo menos um banco de descanso, uma lixeira e um painel com informações sobre as linhas e os horários dos coletivos que passam pelo local.

Para aumentar o conforto dos passageiros, os pontos de ônibus também podem disponibilizar acesso a rede wi-fi aberta e painéis digitais com informação sobre as rotas, os horários e a lotação dos coletivos sendo atualizados em tempo real.

Para garantir a integridade das instalações, bem como a segurança dos passageiros, os pontos de ônibus podem contar com sistema de vídeo monitoramento acompanhado em tempo real por uma central de segurança, bem como a vigilância dos guardas municipais.

Os pontos de ônibus devem ser devidamente sinalizados e instalados na faixa de serviços das calçadas. Além disso, devem contar com toda infraestrutura necessária para a devida acessibilidade dos passageiros com mobilidade reduzida, como a instalação de piso tátil, indicação de acento preferencial e estrutura acessível para cadeirantes.

Para melhorar a mobilidade urbana, os pontos de ônibus devem ser instalados próximos de estacionamentos, pontos de táxi e de mototáxi, garantindo a articulação de diferentes meios de deslocamento urbano. Nesse sentido, uma pessoa que deseja se deslocar de seu bairro até o centro de uma cidade, considerando que o trajeto inicial deve ser realizado em um bairro com ruas de baixo movimento, mas o trajeto principal deve ser realizado em ruas de trânsito intenso, pode decidir realizar o trajeto inicial de carro e quando chegar na área mais movimentada do trajeto, deixar o carro em um estacionamento e seguir viagem de ônibus. Dessa forma, o passageiro contribui para diminuir o número de veículos nas áreas de trânsito intenso, colaborando para evitar a ocorrência de congestionamentos.

No entanto, a eficiência dessa articulação dependente de algumas condições: primeiramente, o ponto de ônibus deve ser localizado próximo ao estacionamento, segundamente, os horários do funcionamento do estacionamento devem ser compatíveis com os horários das passagens dos coletivos no local. Além disso, o estacionamento precisa garantir a segurança e integridade dos veículos deixados sobre a sua guarda.

Uma articulação entre estacionamentos e pontos de ônibus bem-sucedida deve aumentar a fluidez no trânsito, diminuir os congestionamentos, tornar as viagens mais rápidas e ainda, contribuir na diminuição da emissão de gases poluentes dos escapamentos dos veículos urbanos. Vale mencionar que além dos veículos motorizados, esses estacionamentos também podem receber veículos não motorizados, como bicicletas e patinetes manuais, por exemplo. Dessa forma, a articulação entre os estacionamentos com os pontos de transporte coletivo deve ainda contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, pois as pedaladas trazem diversos benefícios para a saúde física e mental dos praticantes.

Além da articulação com os estacionamentos, os pontos de ônibus ainda podem apresentar a instalação de paraciclos e bicicletários para ampliar a conexão entre o ciclismo e o transporte público coletivo. Nessa perspectiva, os passageiros podem realizar o trajeto inicial de bicicleta e seguir o trajeto principal de ônibus, enquanto na volta, o procedimento seria feito de forma oposta. No entanto, é necessário a existência de uma rede de ciclovias e ciclofaixas entre o ponto de ônibus e a área residencial dos passageiros, conforme apontado por Fujiwara (2017, p. 90). Além disso, os espaços para estacionar as bicicletas, principalmente os paraciclos, precisam apresentar as condições necessárias de segurança e conforto para os utilizadores. Vale destacar ainda que essa medida também pode ser realizada em outros modais de transporte coletivo, como por exemplo, nas estações de trens e portos de embarcações.

Para melhorar a mobilidade urbana, o sistema público de transporte coletivo pode disponibilizar um aplicativo para os passageiros acompanhem em tempo real a lotação dos coletivos, bem como as informações atualizadas sobre as rotas, os horários dos veículos e o valor das passagens. Dessa forma, os passageiros podem planejar melhor as suas viagens, evitando os horários de maior movimento e realizando uma viagem mais confortável.

Outra medida importante para a melhoria da mobilidade urbana é a integração de diferentes coletivos e diferentes modais em uma única tarifa urbana. Dessa forma, os passageiros que precisam realizar uma viagem, na qual, só pode ser completada com a utilização de duas ou mais linhas de ônibus, devem pagar uma única passagem. Nesse sentido, a integração evita que o passageiro pague uma tarifa sempre que precisar descer de um veículo e embarcar em outro para completar uma única viagem. Além disso, a integração evita a constante presença de várias linhas de ônibus passando pela mesma rota ao mesmo tempo, aumentando o número de veículos do trânsito urbano sem necessidade e sem trazer qualquer benefício para a população urbana. Na realidade, a integração auxilia a distribuição dos coletivos nas áreas realmente necessárias, evitando o excesso de veículos nos locais desnecessários e aumentando a presença dos coletivos nas rotas realmente necessárias.

Por fim, o transporte público coletivo deve ainda contar com uma frota de veículos em perfeito estado de conservação, garantindo a segurança, o conforto e a dignidade dos passageiros durante as viagens. Nesse sentido, os veículos precisam apresentar toda estrutura mínima para garantir o conforto e a segurança dos viajantes, incluindo assentos confortáveis, fáceis de limpar e com cinto de segurança. É recomendado que os veículos disponibilizem um painel com informações sobre hora, data, pontos de parada, velocidade e localização do coletivo em tempo real. Essas informações permitem que os passageiros se mantenham atualizados sobre as condições situacionais dos deslocamentos, possibilitando uma viagem mais tranquila e planejada.

Os coletivos também precisam disponibilizar uma estrutura mínima de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Nesse sentido, os ônibus precisam contar com um sistema de elevação para o embarque e desembarque de cadeirantes, bem como a presença de espaço adaptado para o público dessa modalidade. Além disso, os coletivos precisam disponibilizar a reserva de vagas prioritárias para idosos, gestantes e demais pessoas com mobilidade reduzida.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Portanto, o investimento no transporte público coletivo planejado amplia a acessibilidade, o conforto e a eficiência da mobilidade urbana, contribuindo ainda para o desenvolvimento social e econômico das cidades. Esse investimento amplia os meios de acesso da população aos serviços essenciais, bem como ao comércio urbano e ainda, contribui com a fluidez do trânsito urbano e a diminuição dos congestionamentos.

 

REFERÊNCIAS

 

SINDICATO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE METROPOLITANO DA GRANDE VITÓRIA. A importância do transporte coletivo para a mobilidade urbana, GVBus, 23 set. 2020. Disponível em: <https://gvbus.org.br/a-importancia-do-transporte-coletivo-para-a-mobilidade-urbana/>. Acesso em: 16 jun. 2026.

 

ROBERTO, Igor. Porque o transporte coletivo é fundamental para as cidades?, Mobilidade sampa, 07 fev. 2023. Disponível em: <https://mobilidadesampa.com.br/2023/02/porque-o-transporte-coletivo-e-fundamental-para-as-cidades/>. Acesso em: 17 jun. 2026.

 

MARIANA. Transporte Público no Brasil 2024 – Dados IBGE, Rotaflux, 22 jun. 2024. Disponível em: <https://rotaflux.com.br/transporte-publico-no-brasil-2024-dados-ibge/>. Acesso em: 17 jun. 2026.

 

CWBUS. Transporte público no Brasil: cenário atual, desafios e soluções, cwbus, 28 jul. 2025. Disponível em: <https://cwbus.com.br/transporte-publico-no-brasil/>. Acesso em: 17 jun. 2026.

 

FUJIWARA, Melina Yumi. Mobilidade urbana por meio da integração entre transporte coletivo e cicloviário. Florianópolis, 2017. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/182707>. Acesso em: 02 jul. 2026.

 

Por: Tiágo Gomes dos Santos. Elaborado em: 19/07/2026. Publicado em: 19/07/2026. Atualizado em: 19/07/2026.

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