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CONSIDERAÇÕES INICIAIS |
As calçadas
públicas são uma das vias de circulação mais importantes do trânsito urbano, pois
possuem a finalidade de garantir a segurança e o conforto dos pedestres durante
os deslocamentos realizados a pé no espaço urbano. Contudo, durante os períodos
de estiagem e altas temperaturas, a ausência de elementos de proteção contra a
intensa radiação solar, podem ameaçar a segurança e o conforto de quem pratica
essa modalidade de transporte. Nesse sentido, confira um breve ponto de vista
sobre a importância da arborização das calçadas públicas para a segurança, o
conforto e o bem-estar dos pedestres.

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A IMPORTÂNCIA DA ARBORIZAÇÃO DAS CALÇADAS |
Embora a finalidade
das calçadas seja a garantia da segurança e do conforto dos pedestres durante
as caminhadas, essa finalidade pode ser prejudicada pela ausência de elementos
que favoreçam a proteção dos pedestres contra a exposição prolongada da
radiação solar. Esse problema se torna ainda mais crítico nos horários próximos
ao meio-dia e durante os períodos de estiagem e calor intenso. De acordo com o National
Geographic Brasil (2023) as consequências da exposição prolongada ao sol na
pele podem chegar a danos no DNA, queimaduras solares, reações fototóxicas e fotoalérgicas.
Segundo dados da Prefeitura de Araranguá (2018) a longa exposição ao sol ainda
pode agravar sintomas relacionados com a desidratação.
A ausência de
elementos de proteção contra a exposição prolongada da intensa radiação solar
nas calçadas urbanas, ainda contribui para deixar as caminhadas mais
exaustivas, principalmente em crianças e idosos. Dessa forma, apresar dos
benefícios voltados para a saúde, muitas pessoas trocam as caminhadas pelo
transporte automotor em virtude dos obstáculos encontrados na infraestrutura
disponível para a realização dessa prática, principalmente em relação a
excessiva exposição solar.
Nesse sentido, a
arborização das calçadas contribui para a proteção dos pedestres contra a
intensa radiação solar, inclusive nos horários próximos ao meio-dia e durante
os períodos de estiagem e calor intenso. De acordo com Nicodemo e Primavesi (2009) as árvores tornam o ambiente urbano mais agradável ao proteger
as pessoas da radiação solar direta e da radiação de ondas longas.
Segundo Bosqueiro
Júnior (2024) as árvores urbanas, muitas vezes vistas como elementos
decorativos, desempenham um papel fundamental na qualidade de vida das cidades,
pois além de embelezar o ambiente, desempenham diversas funções essenciais,
especialmente quando plantadas em calçadas. Dessa forma, as árvores protegem os
pedestres contra a radiação solar, contribuindo com a proteção e segurança de
quem utiliza as calçadas. Além disso, as árvores ainda aumentam a umidade do
ar, diminuem o efeito da ilha de calor nas áreas urbanas, ajudam a reduzir a
erosão do solo, ajudam no controle do escoamento superficial das águas pluviais,
contribuem no aumento da biodiversidade, melhoram a saúde física e mental dos
pedestres e também valorizam a paisagem urbana.
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ARBORIZAÇÃO DE FORMA PLANEJADA |
Apesar da importância da arborização das calçadas para a segurança e o
conforto dos pedestres, segundo Silva, Fidelis e Castro (2011) a falta de
planejamento e o plantio inadequado de espécies podem gerar barreiras físicas e
criar dificuldades, principalmente para as pessoas com necessidades especiais que
utilizam esse equipamento urbano. Nessa perspectiva, as árvores não podem ser
implantadas nas calçadas de qualquer forma e sem uma análise antecipada. Para a
arborização das calçadas alcançar os devidos benefícios para a população é
necessário um estudo prévio e a realização de um planejamento.
O ideal é que as árvores devem ser plantadas nas faixas de serviços das
calçadas. Nesse sentido, a calçada deve apresentar pelo menos três faixas de
uso: a faixa de acesso, a faixa de passeio e a faixa de serviços. A faixa de
acesso deve estar próxima dos imóveis e ser responsável pela passagem entre a
via pública e os imóveis da rua. A faixa de passeio deve estar inserida no
centro da calçada e ser responsável pela circulação contínua dos pedestres de
forma acessível e livre de qualquer obstáculo. Já a faixa de serviços deve
estar próximo do leito carroçável e ser responsável pela acomodação dos mobiliários
e demais elementos essenciais para a usabilidade das calçadas, inclusive a
arborização. Para mais informações sobre as faixas de uso da calçada, clique aqui e confira nossa matéria sobre a importância das calçadas planejadas.
As árvores podem ser plantadas no centro dos canteiros de arborização da
faixa de serviços. Além disso, o solo dos canteiros pode ser protegido com uma
grade horizontal, devidamente alinhada com o nível da calçada, possibilitando o
trânsito de pedestres por cima do canteiro sem pisotear o solo. Dessa forma, a
grade amplia o espaço de circulação dos pedestres, ao mesmo tempo que evita a
compactação do solo, garantindo a preservação das características dos agregados
para a adequada infiltração da água.
A escolha das espécies para plantio nas calçadas deve considerar o
porte, o sistema radicular, a compatibilidade com o clima local, a adaptação
com o espaço urbano, entre outras condições. Quanto ao porte das árvores, a
escolha deve observar a largura dos canteiros, a largura total da calçada, a
distância entre as árvores e os imóveis e a localização da passagem das redes
elétricas, redes de gás, água potável, esgoto e drenagem. Quanto mais espaço
houver disponível entre esses elementos, maior poderá ser o porte das árvores.
Nesse sentido, para o plantio de uma árvore de grande porte é necessário que a calçada
ofereça uma largura total de no mínimo 6,0 m, presença de canteiros de no
mínimo 3,0 m de largura, distanciamento mínimo de 1,0 m entre qualquer
estrutura da árvore e as redes de luz, água potável, esgoto e drenagem, além da
existência de um recuo significativo entre os imóveis e a calçada. No caso de
uma calçada com 2,5 m de largura total, 1,0 m de largura de canteiro, nenhum
recuo entre os imóveis e com distanciamento de meio metro das redes de energia,
água potável, esgoto e drenagem, apenas árvores de pequeno porte podem ser
plantadas.
A escolha das espécies para a calçada deve priorizar aquelas com sistemas
radiculares não invasivos, ou seja, aqueles que buscam profundidade, expandem
de forma controlada e são adaptáveis ao espaço urbano. Nesse sentido, as
árvores com sistema radicular axial, aquelas que possuem uma raiz principal, na
qual, ramifica as raízes secundárias, são um perfeito exemplo de sistema
radicular não invasivo. As raízes do sistema axial buscam profundidade,
deixando as árvores mais firmes e resistentes contra as ventanias, diminuindo o
risco de quedas e possíveis acidentes no trânsito urbano. Além disso, esse
sistema de raízes cresce de forma controlada, diminuindo riscos de invasão em redes
de água, esgoto, drenagem e energia subterrânea. Entre os exemplos mais comuns
de árvores com sistema radicular axial destaca-se os ipês, o jacarandá-mimoso, o
manacá-da-serra, entre outros.
Quanto à compatibilidade com o clima local, as árvores das calçadas devem
ser adaptadas quanto as características e oscilações anuais de temperatura,
umidade e circulação atmosférica que predominam no local, garantindo um
desenvolvimento saudável e mais resistentes contra as intempéries. Além disso,
o desenvolvimento saudável das árvores, aumenta a resistência contra o ataque de
pragas, evitando a realização de manutenções constantes e intervenções
artificiais repetitivas. Dessa forma, o ideal é escolher espécies pertencentes
ao bioma original que o espaço urbano está inserido, evitando o plantio de espécies
exóticas.
Quanto à adaptação com o espaço urbano, o ideal é priorizar o plantio de
mudas já selecionadas e adaptadas ao espaço urbano. Nessa perspectiva, as mudas
devem ser obtidas através do poder público ou de um viveiro especializado com
investimentos quanto à adaptabilidade das espécies.
Por fim, a Administração Pública em parceria com a população local deve contribuir
para a manutenção e preservação das espécies plantadas nas calçadas. Dessa
forma, enquanto a Administração Pública deve realizar os serviços de adubação, poda,
diagnóstico fitossanitário e manutenção da infraestrutura local, os moradores e
donos dos imóveis em frente delas, podem contribuir com a limpeza e disponibilidade
dos recursos hídricos necessários.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS |
Portanto, o investimento em calçadas arborizadas de forma planejada contribui
para a melhoria da saúde física e mental dos pedestres e de toda população
urbana. Nesse sentido, a arborização aumenta a segurança e o conforto das
calçadas públicas, pois protegem os pedestres da intensa radiação solar, aumenta
a umidade do ar, ajuda no controle do escoamento superficial das águas
pluviais, melhora a saúde psicológica dos pedestres e dos moradores locais e
ainda valoriza a paisagem urbana.
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REFERÊNCIAS |
NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL. O que acontece com o organismo após muitas
horas de exposição ao sol, National
Geographic Brasil, 03 jan. 2023. Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/01/o-que-acontece-com-o-organismo-apos-muitas-horas-de-exposicao-ao-sol>.
Acesso em: 22 mai. 2026.
ARARANGUÁ. Longa exposição ao sol pode trazer prejuízos à pele e ao
corpo, Prefeitura de Araranguá, 04
jan. 2018. Disponível em: <https://ararangua.sc.gov.br/noticia-463705-2/>.
Acesso em: 22 mai. 2026.
NICODEMO, Maria Luiza Franceschi. PRIMAVESI, Odo. Por que manter árvores na área urbana? São Carlos: Embrapa Pecuária
Sudeste, 2009. Disponível em: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/82803/1/Documentos89.pdf>.
Acesso em: 22 mai. 2026.
BOSQUEIRO JÚNIOR, Rogério. A importância das árvores urbanas nas
calçadas: diretrizes para cuidado e manutenção, Prefeitura de São Pedro, 04 set. 2024. Disponível em: <https://www.semagrisaopedro.com.br/a-importancia-das-arvores-urbanas-nas-calcadas-diretrizes-para-cuidado-e-manutencao>.
Acesso em: 25 mai. 2026.
Fernanda Francisco da Silva1; Maria Ernestina Alves Fidelis2, Protasio
Ferreira e Castro. Arborização e acessibilidade em calçada: comentários sobre o
deslocamento entre CAMPI da Universidade Federal Fluminense. Revista da Sociedade Brasileira de
Arborização Urbana, Piracicaba, v.6, n.3, p.43-63, 2011. Disponível em:
<https://doi.org/10.5380/revsbau.v6i3.66473>. Acesso em: 27 mai. 2026.
ARAÚJO, Marília. Tipos de Raízes, Infoescola.
Disponível em: <https://www.infoescola.com/plantas/tipos-de-raizes/>.
Acesso em: 02 jun. 2026.
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Por: Santos.
Elaborado em: 02/06/2026. Publicado em: 02/06/2026. Atualizado em: 02/06/2026. Obrigado pela
sua atenção, qualquer dúvida, falha ou sugestão, deixe seu comentário ou entre
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