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CONSIDERAÇÕES INICIAIS |
Considerando que o
pedestre é o elemento prioritário do trânsito urbano, então é dever da
Administração Pública investir no planejamento das calçadas e demais
infraestruturas de passeio para garantir o conforto e a segurança dessa
modalidade de locomoção urbana. Segundo o Jornal Jurid (2023) a caminhada e o
ciclismo são os meios de transporte mais acessíveis e ainda ajudam a reduzir a
poluição do ar, os congestionamentos de trânsito e os custos de transporte, ao
mesmo tempo que promovem um estilo de vida mais saudável e ativo. Porém, a
presença de calçadas inadequadas e até a ausência dessa via de transporte
colocam em risco a segurança e a viabilidade das caminhadas em diversas cidades
de nosso país. Nesse sentido, confira um breve ponto de vista sobre a
importância do planejamento viário voltada na segurança, na acessibilidade e no
conforto dos pedestres nas cidades brasileiras.

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A IMPORTÂNCIA DAS CALÇADAS |
Segundo o Jornal Jurid
(2023) a caminhada e o ciclismo são os meios de transporte mais acessíveis para
a maioria das pessoas, principalmente para as comunidades de baixa renda. Além
disso, esses meios de transporte ajudam a reduzir a quantidade de veículos nas
vias públicas, consequentemente contribuindo para a diminuição da poluição do
ar e reduzindo os congestionamentos de trânsito.
Esses meios de
transporte ainda promovem um estilo de vida mais saudável, pois auxiliam no
fortalecimento muscular e diminuição do sedentarismo. Segundo o portal Tua
Saúde (2025), a caminhada possui muitos benefícios para
a saúde, incluindo a prevenção de doenças cardiovasculares, a diminuição dos
sintomas de estresse e ansiedade, a estimulação do emagrecimento, entre outros.
A caminhada e o
ciclismo ainda estimulam um estilo de vida mais ativo, pois incentiva o
convívio social e contribui para o aumento da interação entre as pessoas e o
ambiente que transitam. Enquanto as pessoas caminham pela calçada, observam
melhor a paisagem, os movimentos e as transformações que ocorrem ao seu redor,
possibilitando um conhecimento mais aprofundado sobre o local que vivem. Além
disso, esse modo de deslocamento auxilia o aumento da movimentação em locais
comerciais, impulsionando o crescimento da economia local.
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PRINCIPAIS PROBLEMAS QUE PREJUDICAM A CAMINHADA |
Entre os principais problemas observados nas cidades brasileiras que
prejudicam a prática da caminhada, destacam-se a existência de obstáculos nas
vias de passeio, a instalação de piso inadequado, a falta de segurança, a falta
de acessibilidade, a presença de lixo e esgoto nas calçadas, entre outros
desafios. Porém, a maior dificuldade encontrada é a ausência da própria calçada
ou de qualquer outra infraestrutura de passeio, obrigando o pedestre a transitar
na mesma via que os veículos automotores.
Segundo a Agência Senado (2020) “mesmo que um terço dos deslocamentos
nas cidades brasileiras seja feito a pé, os cidadãos que usam as próprias
pernas ou uma cadeira de rodas em seus trajetos não são tratados com prioridade”.
De acordo com a agência, caminhar é a forma mais natural, antiga e econômica de
o ser humano ir de um lugar a outro, mas são diversos obstáculos que
transformam essa prática em um calvário.
De acordo o ArchDaily (2019) um estudo realizado pela organização
Mobilize Brasil mostrou que nenhuma das 27 capitais brasileiras oferece
condições viáveis para a circulação de pedestres e cadeirantes em suas
calçadas, ruas e faixas de travessia. Esse estudo foi concluído em 2019 e revelou
que os pedestres das capitais que insistem em caminhar, encontram calçadas
estreitas e com a presença de variados obstáculos, como buracos, degraus e
postes. Além disso, os pedestres ainda encontram outras dificuldades, como por
exemplo, faixas de travessia apagadas, ausência de semáforos, ambientes
agressivos e poluídos e a falta de um local para descanso em dias de calor ou
chuva.
Nesse sentido, a Administração Pública tem o dever de investir na
preservação e ampliação das calçadas públicas planejadas de nossas cidades em
razão dos diversos benefícios que esses investimentos proporcionam para a
população urbana. Dessa forma, o investimento nas calçadas planejadas torna as
caminhadas mais seguras, confortáveis e acessíveis, melhorando a mobilidade
urbana e incentivando um estilo de vida mais saudável e ativo.
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A INFRAESTRUTURA DAS CALÇADAS PLANEJADAS |
Para melhorar a mobilidade urbana, a Administração Pública deve investir
em um programa permanente de conservação e ampliação das calçadas públicas no
espaço urbana. Esse programa deve propiciar a preservação das calçadas
existentes e a manutenção daquelas que se encontram em condições inadequadas
para o uso público. Além disso, esse programa também deve possibilitar a implantação
das calçadas planejadas nas ruas em que até a calçada simples ainda é
inexistente.
De acordo com Cunha (2024) o dimensionamento de uma calçada devidamente
acessível deve considerar a presença de três faixas de uso: uma faixa de serviço,
uma faixa de passeio e uma faixa de acesso.

A faixa de serviços deve ficar localizada ao lado da via de rolamento e
ser destinada para a acomodação dos mobiliários e demais elementos físicos
essenciais para a segurança, o conforto e a viabilidade das caminhadas. Nesse
sentido, a faixa de serviços deve acomodar os pontos de acesso ao transporte
coletivo, os pontos de táxi e mototáxi, os bancos de descanso, os canteiros de
arborização, as placas e demais acessórios de sinalização do trânsito, as
placas e painéis informativos, os postes de iluminação, as lixeiras públicas, os
hidrantes, eventuais bancas comerciais, entre outros elementos essenciais para
o passeio público.
A faixa de serviços funciona como uma área de segurança entre o leito
carroçável e o caminho do pedestre, ajudando a diminuir o risco de acidentes.
Para tanto, a recomendação é que essa faixa tenha no mínimo 0,70 m de largura,
conforme Cunha (2024).
Para melhorar o conforto dos pedestres, os bancos de descanso e os
pontos de acesso ao transporte coletivo, bem como os de táxi e mototáxi, devem
apresentar um abrigo com condições ideais para proteção contra a ação do sol e
da chuva. Dessa forma, os pedestres devem ter acesso a pontos de descanso
devidamente dignos e confortáveis, independe das condições meteorológicas.
Essa faixa também deve apresentar as rampas de acesso para veículos e
para pedestres com mobilidade reduzida. No primeiro caso, as rampas devem
suavizar o acesso dos veículos para garagens, estacionamentos e ruas
compartilhadas. No segundo caso, as rampas devem possibilitar o acesso de
cadeirantes e demais pedestres com condições de mobilidade reduzida às faixas
de pedestres e outros pontos de travessia das ruas.
A faixa de passeio deve ficar localizada no centro da calçada e ser
destinada exclusivamente ao trânsito de pedestres. Essa faixa deve possibilitar
o fluxo de pessoas de forma livre, contínua e sem obstáculos. Segundo Cunha
(2024) essa faixa deve ter no mínimo 1,20 m de largura, além de 2,10 m de
altura livre.
Já a faixa de acesso é o espaço de passagem da calçada para os imóveis
urbanos. Essa faixa pode ser utilizada como ambiente de arborização, jardinagem
e em alguns casos, como local de extensão de alguns elementos comerciais.
Vale destacar que no caso das ruas implantadas com pouco espaço de
largura e necessidade indispensável de um leito carroçável, as calçadas devem
ter pelo menos a faixa de passeio. No entanto, o projeto de implantação de
novas ruas deve considerar a presença de calçadas planejadas com no mínimo as
três faixas supracitadas.
Todas as ruas públicas devem apresentar calçadas devidamente acessíveis,
sinalizadas e padronizadas. Quanto à acessibilidade, a faixa de passeio deve
apresentar superfície regular, antiderrapante, contínua e com a presença de
piso tátil, devidamente adaptado para pessoas com mobilidade reduzida,
incluindo grupos de baixa visão, cadeirantes, idosos e gestantes.
Quanto à sinalização, as calçadas devem apresentar sinalização própria
para pedestres, principalmente no acesso para as faixas de travessia e nos
pontos de entrada e saída de veículos. Vale destacar a importância da
preservação das faixas de travessia para melhorar a segurança dos pedestres ao
cruzar as ruas. Além disso, as faixas de serviços devem contar com placas de
informações turísticas para facilitar a localização dos principais equipamentos
urbanos.
As calçadas precisam ser devidamente padronizadas, mantendo o mesmo
padrão de revestimento segundo as faixas de uso e a arquitetura local. Como por
exemplo, as faixas de passeio podem apresentar um revestimento cimentício
antiderrapante, as áreas pavimentadas das faixas de serviço e acesso podem
apresentar um revestimento fulget, as
áreas históricas podem apresentar um revestimento em pedras naturais, entre
outras formas de padrões. Dessa forma, a padronização atua como uma forma de
sinalização auxiliar, ajudando os pedestres a identificar as delimitações de
cada área funcional da calçada, além de ajudar a valorizar a paisagem local.
Vale destacar que a cor do piso tátil e das faixas de pedestres devem
apresentar contraste com a cor do pavimento da superfície, como por exemplo,
nas calçadas de revestimento cimentício antiderrapante com cor grafite, o ideal
é o piso tátil ser escuro. Nas ruas com pavimento asfáltico escuro, o ideal é a
faixa de pedestres ser na cor branca. O contraste na cor desses elementos
facilita a visualização das pessoas com baixa visão, além de evitar excesso de
informação visual, deixando a paisagem mais valorizada. Nesse sentido, a
presença de piso tátil vermelho junto a superfícies claras ou de uma cor
avermelhada junto as faixas de pedestres podem dificultar a mobilidade urbana.
Na medida do possível, as calçadas devem ser retas e planas. No entanto,
caso a rua apresente uma inclinação em virtude do perfil topográfico, então as
faixas de serviço e passeio devem seguir a mesma inclinação da rua, evitando a
presença de degraus ou descontinuidades que dificultem a acessibilidade.
Contudo, em casos eventuais, a faixa de acesso pode ser liberada para
instalação de degraus ou outras estruturas de nivelamento do terreno.
A arborização das calçadas com o plantio de espécies arbustivas
adaptados ao espaço urbano, além de valorizar a paisagem local, também melhoram
o conforto e a saúde psicológica dos pedestres. Nesse sentido, as árvores devem
ser plantadas em trechos de solo aberto na faixa de serviços. Esses trechos
devem ser cobertos com uma grade horizontal, permitindo a passagem de pessoas
sem o contato direto com o solo. Dessa forma, a grade protege o solo contra a
compactação superficial dos pedestres, mantendo as condições ideais de
infiltração, fertilização orgânica e desenvolvimento do caule da árvore.
Para valorizar a paisagem local, o ideal é que as redes de água, esgoto,
energia elétrica e internet sejam transmitidas através de dutos e galerias
subterrâneas com passagem por baixo das calçadas. Essas redes podem ser
passadas por baixo da faixa de passeio e acessíveis através de caixas de
inspeção instaladas sobre a faixa de serviços.
Dessa forma, o investimento no planejamento das calçadas públicas,
incentiva a prática da caminhada, reduzindo a quantidade de veículos nas ruas e
consequentemente ajudando a reduzir os congestionamentos no trânsito urbano,
bem como a poluição do ar. Além disso, esse investimento diminui os custos com
transporte, pois ao reduzir a quantidade de veículos em movimento, contribui
para tornar o trânsito mais fluido, reduzindo o tempo de circulação de pessoas
e mercadorias nas ruas.
A implantação de calçadas com a presença de uma faixa de serviços
devidamente equipada com lixeiras públicas, bancos de descanso e pontos de
transporte coletivo disponibilizam diversos benefícios para toda população
urbana. O primeiro equipamento ajuda a reduzir a presença de lixo nas calçadas,
tornando as caminhadas e toda convivência urbana mais agradável. O segundo,
além de propiciar o descanso físico, também auxilia a socialização e a
interação entre os pedestres. Já o terceiro equipamento, possibilita a
articulação entre diferentes meios de transporte com a caminhada, contribuindo
no aumento da circulação urbana e consequentemente no crescimento do comércio.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS |
Portanto, o investimento em calçadas planejadas contribui para o aumento
do movimento comercial, auxilia o desenvolvimento da economia local, diminui os
congestionamentos e aumenta a qualidade de vida das pessoas.
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REFERÊNCIAS |
JORNAL JURID. Mobilidade urbana: direitos dos pedestres e ciclistas, Jornal jurid, 2023. Disponível em: <https://www.jornaljurid.com.br/blog/jurid-web/mobilidade-urbana-direitos-dos-pedestres-e-ciclistas>.
Acesso em: 05 mai. 2026.
TUA SAUDE. 15 principais benefícios da caminhada para saúde, Tua saúde, 2025. Revisão de Carlos
Bruce. Disponível em: <https://www.tuasaude.com/caminhada/>. Acesso em: 06
mai. 2026.
AGÊNCIA SENADO. Território sem dono, calçadas brasileiras revelam
negligência com o pedestre, especial cidadania, Senado, 10 jan. 2020. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/territorio-sem-dono-calcadas-brasileiras-revelam-negligencia-com-o-pedestre>.
Acesso em: 11 mai. 2026.
MOBILIZE. Estudo revela a precariedade das calçadas nas 27 capitais
brasileiras, ArchDaily Brasil, ISSN
0719-8906, 20 Set 2019. Acesso em: 11 mai 2026. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/925043/estudo-revela-a-precariedade-das-calcadas-nas-27-capitais-brasileiras>.
Acesso em: 11 mai. 2026.
CUNHA, Karla. Calçadas acessíveis, Item6,
29 ago. 2024. Disponível em: <https://item6.com.br/acessibilidade/calcadas-acessiveis/>.
Acesso em: 11 mai. 2026.
|
Por: Santos.
Elaborado em: 20/05/2026. Publicado em: 20/05/2026. Atualizado em: 20/05/2026. Obrigado pela
sua atenção, qualquer dúvida, falha ou sugestão, deixe seu comentário ou
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